1967–1972

Tropicália

A Tropicália surgiu no Brasil a partir de 1967 como um movimento cultural liderado por baianos como Caetano Veloso e Gilberto Gil, fazendo a canção popular brasileira colidir com o rock elétrico, a vanguarda e a irreverência antropofágica de raiz modernista que a fonte citada aponta como uma de suas influências principais. Respondeu ao requinte da bossa nova com colagem, distorção e crítica cultural afiada. Ainda que breve, o movimento e sua fome de hibridismo redefiniram o que a música popular brasileira podia absorver.

O registro

Pessoas e grupos11

  • 1932 · São Paulo

    Compositor formado na vanguarda europeia que se tornou central na cena experimental e tropicalista paulistana, Rogério Duprat foi o arranjador que deu à Tropicália sua aresta orquestral e eletroacústica, escrevendo as cordas, os metais e as colagens que emolduram seus discos centrais.

  • Tom Zé2 fontes

    1936 · Salvador

    Vindo de Irará, no sertão baiano, Tom Zé chegou a Salvador para estudar composição e tornou-se o mais experimental dos tropicalistas, tratando a canção como uma máquina a ser desmontada.

  • Jorge Ben1 fonte

    1939 · Rio de Janeiro

    Cantor e violonista carioca com um balanço de samba-rock só seu, Jorge Ben foi adotado pelos tropicalistas como espírito afim, e seu vocabulário rítmico alimentou o suingue do movimento.

  • Capinan1 fonte

    1941 · Salvador

    José Carlos Capinam, conhecido apenas como Capinan, foi um poeta baiano cujas letras deram peso literário a várias canções tropicalistas, em parceria próxima com Gil e o grupo de Salvador.

  • Nara Leão2 fontes

    1942 · Rio de Janeiro

    Outrora chamada de musa da bossa nova por reunir o grupo fundador em seu apartamento em Copacabana, Nara Leão tornou-se figura-ponte ao emprestar sua credibilidade ao novo movimento, participando do disco coletivo de 1968.

  • 1942 · Salvador

    Nascido em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, Caetano Veloso mudou-se para Salvador ainda estudante e tornou-se o principal pensador da Tropicália, movimento que cruzou a canção brasileira com a guitarra elétrica, a poesia concreta e a antropofagia de devorar a cultura estrangeira.

  • Gilberto Gil2 fontes

    1942 · Salvador

    Gilberto Gil cresceu entre Salvador e o interior baiano, onde o baião de Luiz Gonzaga formou seu ouvido antes do encontro com Caetano Veloso na universidade.

  • 1944 · Rio de Janeiro

    Poeta e jornalista de Teresina, no Piauí, Torquato Neto foi o letrista que escreveu algumas das palavras mais afiadas da Tropicália, incluindo versos para Gil e Caetano no disco coletivo de 1968.

  • Gal Costa2 fontes

    1945 · Salvador

    Soteropolitana, Gal Costa foi a voz do grupo baiano, capaz tanto da contenção cristalina quanto, nos discos tropicalistas, de uma entrega elétrica e selvagem.

  • 1946 · Salvador

    Irmã caçula de Caetano Veloso e integrante do círculo baiano em Salvador, Maria Bethânia firmou-se no Rio com uma entrega dramática e declamatória, distinta da paleta tropicalista.

  • Os Mutantes2 fontes

    1966 · São Paulo

    Formados em São Paulo pelos irmãos Arnaldo Baptista e Sérgio Dias com a cantora Rita Lee, Os Mutantes foram o motor elétrico da Tropicália, fabricando distorções e efeitos de fita caseiros numa psicodelia genuinamente brasileira.

Obras e lançamentos11

  • 1967 · São Paulo

    'Alegria, Alegria', de Caetano Veloso, apresentada com banda elétrica no festival da TV Record em São Paulo em 1967, escandalizou os puristas ao trazer a instrumentação do rock para um concurso de canção brasileira.

  • 1967 · São Paulo

    'Domingo no Parque', de Gilberto Gil, cantada no festival da TV Record de 1967 com Os Mutantes, sobrepõe uma tragédia de ciúme num parque de domingo a um arranjo propulsor de berimbau e guitarra.

  • 1968 · São Paulo

    O álbum de estreia homônimo de Caetano Veloso, de 1968, destila seu programa tropicalista em forma solo, casando os arranjos audaciosos de Rogério Duprat a canções que vão da provocação elétrica à ternura mais direta.

  • 1968 · São Paulo

    O álbum homônimo de Gilberto Gil, de 1968, às vezes conhecido pela faixa de abertura 'Frevo Rasgado', confronta suas raízes nordestinas ao arranjo psicodélico e às orquestrações de Rogério Duprat.

  • 1968 · São Paulo

    O álbum de estreia de Os Mutantes, lançado em 1968, é o artefato mais barulhento e brincalhão da ala psicodélica da Tropicália, cheio de manipulação de fita, guitarra distorcida e humor surreal.

  • 1968 · São Paulo

    A canção 'Tropicália', de Caetano Veloso, deu nome ao movimento, varrendo monumentos, slogans e os destroços pop do Brasil moderno numa só enumeração vertiginosa.

  • 1968 · São Paulo

    Tomando emprestado um slogan da revolta de maio de 1968 em Paris, 'É Proibido Proibir', de Caetano Veloso, foi a canção que ele cantou na eliminatória paulista do Festival Internacional da Canção de 1968, no TUCA, em São Paulo, onde provocou um choque furioso com a plateia que o vaiava.

  • 1968-07 · São Paulo

    Lançado em 1968, este disco coletivo é o manifesto da Tropicália em forma de álbum, reunindo Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Tom Zé, Nara Leão e o arranjador Rogério Duprat num só gesto.

  • 1969 · São Paulo

    Gravado à sombra da prisão e do exílio iminente, o segundo álbum homônimo de Caetano Veloso, de 1969, é mais sombrio e fragmentado que o anterior, feito enquanto a ditadura apertava o cerco.

  • 1971 · Londres

    Feito durante o exílio na Inglaterra, o álbum homônimo de Caetano Veloso de 1971 é um disco mais calado e deslocado, em boa parte cantado em inglês e moldado pela solidão de uma cidade estrangeira.

  • 1971 · Londres

    O álbum homônimo de Gilberto Gil de 1971, gravado em Londres durante o exílio, incorpora o rock, o folk e o reggae que ele ouvia na Inglaterra à sua composição brasileira.

Eventos7

  • 1963 · Salvador

    No início dos anos 1960, um grupo de jovens baianos, Caetano Veloso, sua irmã Maria Bethânia, Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé, encontrou-se em Salvador em torno da universidade e de sua cena artística.

  • 1967-09-30 · São Paulo

    Realizado no Teatro Record, em São Paulo, e transmitido pela TV Record, o III Festival de Música Popular Brasileira foi do fim de setembro a 21 de outubro de 1967 e tornou-se a rampa de lançamento da Tropicália.

  • 1968 · São Paulo

    Na eliminatória paulista do Festival Internacional da Canção de 1968, no TUCA, em São Paulo, Caetano Veloso apresentou 'É Proibido Proibir' com Os Mutantes e, diante das vaias hostis, desfechou contra a plateia um discurso furioso que se tornou lendário.

  • 1968-12-13 · Rio de Janeiro

    Em 13 de dezembro de 1968, o governo militar brasileiro decretou o Ato Institucional nº 5, suspendendo o habeas corpus, fechando o Congresso e desencadeando a fase mais dura de censura e repressão da ditadura.

  • 1968-12-27 · São Paulo

    Em 27 de dezembro de 1968, duas semanas depois do AI-5, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos sem julgamento em São Paulo e mantidos detidos por meses.

  • 1969 · Londres

    Depois de soltos e de um período em prisão domiciliar, Caetano Veloso e Gilberto Gil deixaram o Brasil em 1969 rumo ao exílio em Londres, onde viveriam cerca de três anos.

  • 1972 · Salvador

    Em 1972, julgando o clima político um pouco mais seguro, Caetano Veloso e Gilberto Gil voltaram ao Brasil vindos de Londres, trazendo o rock, o reggae e as ideias de estúdio absorvidos lá fora.

Espaços1

  • 1967 · São Paulo

    O Teatro Record, em São Paulo, um teatro-estúdio da Rede Record de televisão, foi o palco em que os festivais de música popular transmitidos no fim dos anos 1960 se desenrolaram diante de plateia e câmeras.

Conexões entre movimentos

Conexões · 8